
A dificuldade de engolir, muitas vezes tratada como algo pontual ou sem gravidade, pode esconder um problema de saúde que exige atenção: a disfagia.
Mais comum entre idosos, a condição afeta diretamente a qualidade de vida e pode trazer riscos importantes, como engasgos frequentes e até complicações respiratórias.
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De acordo com a nutricionista Tatiana Lessa, supervisora da equipe de Nutrição e Fonoaudiologia do Hospital MedSênior, a disfagia é caracterizada pela dificuldade no processo de deglutição, ou seja, no ato de engolir alimentos, líquidos ou até a própria saliva.
“Engolir é algo que fazemos tão ‘automaticamente’ que parece simples, mas não é. A deglutição envolve uma coordenação complexa, com cerca de 50 pares de músculos, além de nervos. Quando esse processo não acontece corretamente, a pessoa pode se engasgar ou ter dificuldade para levar o alimento até o estômago com segurança, o que pode provocar situações graves e até levar ao óbito”, explica.
A especialista afirma, ainda, que o problema é mais frequente nos idosos devido ao próprio processo de envelhecimento, que pode reduzir a força muscular da região responsável pela deglutição.
Além disso, outras condições podem provocar disfagia, como Alzheimer, Parkinson, sequelas de AVC e desnutrição.
Prevenir e se preparar para situações de emergência é fundamental para evitar complicações mais graves. Estima-se que ocorram cerca de 3 mil mortes por engasgo a cada ano no Brasil, sendo as vítimas, em sua maioria, crianças e idosos.
O que é disfagia?
A disfagia é um distúrbio caracterizado pela dificuldade de engolir alimentos, líquidos ou até saliva, podendo ocorrer em qualquer fase da deglutição — da boca ao esôfago. Bastante comum em idosos, a condição também pode estar associada a doenças neurológicas, como o Mal de Parkinson e o AVC, além de alterações estruturais na garganta ou no esôfago.
Os principais sintomas incluem sensação de alimento parado na garganta, tosse durante as refeições e engasgos frequentes, o que pode aumentar o risco de desnutrição e aspiração pulmonar.
O diagnóstico da disfagia deve ser feito por um profissional de saúde, e o tratamento pode envolver mudanças na alimentação, terapia fonoaudiológica e acompanhamento médico especializado.
A disfagia tem cura?
Ao se deparar com o diagnóstico de disfagia, idosos e familiares frequentemente se perguntam se há cura para a condição.
A supervisora da equipe de Nutrição e Fonoaudiologia da MedSênior, Tatiana Lessa, responde: “para a disfagia, é necessário tratar a causa de base, realizar reabilitação fonoaudiológica, além de adaptar a dieta e orientar quanto à postura durante a alimentação. O problema tem tratamento e, em muitos casos, pode ser revertido ou compensado, mas a ‘cura’ depende diretamente da causa”.
Ela explica que a reabilitação total ou parcial pode ocorrer, por exemplo, em casos de sequelas de AVC. “Por meio de exercícios fonoaudiológicos e da orientação nutricional, muitos pacientes recuperam 100% da capacidade de engolir graças à neuroplasticidade do cérebro, que permite a reorganização dos circuitos”, afirma.
Já nos casos de doenças degenerativas, o objetivo não é a cura, mas o cuidado e o controle da condição. O tratamento passa, necessariamente, pela terapia fonoaudiológica, com exercícios de fortalecimento da língua, bochechas e laringe, além de técnicas de estimulação sensorial (como gelo e sabores mais intensos) para estimular o reflexo da deglutição.
Também são importantes as adaptações na dieta e mudanças de comportamento. “Se o idoso engasga com água, por exemplo, pode-se recomendar o uso de espessantes para tornar o líquido mais consistente. Também é possível adotar posturas específicas, como inclinar levemente o queixo para baixo ao engolir, o que ajuda a proteger as vias aéreas e facilita a descida do alimento”, explica.
Quando o engasgo vira emergência
O engasgo, principal e mais preocupante sintoma da disfagia, ocorre quando algo bloqueia parcial ou totalmente as vias aéreas.
Em casos leves, a própria tosse pode resolver. Mas, quando há obstrução completa, a situação pode se tornar uma emergência. Por isso, conhecer formas de prevenção e saber como agir é fundamental, especialmente para quem convive com idosos.
Alguns cuidados importantes para evitar o engasgo são:
- Manter o idoso sentado e com postura adequada durante as refeições;
- Evitar falar ou rir enquanto come;
- Oferecer alimentos com consistência adequada (nem muito secos, nem muito líquidos);
- Incentivar a mastigação lenta.
Além disso, é fundamental ficar atento aos sinais de alerta: tosse frequente durante as refeições, sensação de alimento “parado” na garganta, alteração da voz após engolir e perda de peso sem explicação podem indicar disfagia. Nesses casos, é essencial buscar avaliação de profissionais como fonoaudiólogos e médicos.
O que fazer em caso de engasgo:
Se o idoso estiver consciente e tossindo, o ideal é incentivá-lo a continuar tossindo, pois esse é o mecanismo natural de defesa do corpo.
Caso não consiga respirar, falar ou tossir, pode ser necessário realizar a manobra de desengasgo, conhecida como manobra de Heimlich.
Para isso, a pessoa que presta ajuda deve se posicionar atrás do idoso, envolver sua cintura com os braços e realizar compressões firmes na região acima do umbigo, com movimentos rápidos para dentro e para cima. O objetivo é expulsar o objeto que está bloqueando a passagem de ar.
Se o idoso estiver desacordado, o recomendado é acionar imediatamente o serviço de emergência e seguir as orientações até a chegada da equipe.
Como oferecer alimentos com segurança
- Mantenha a boca sempre limpa, mesmo que a pessoa não se alimente por via oral;
- A pessoa deve estar sentada ou com a cabeceira da cama elevada (aproximadamente 90°);
- Ofereça pequenas quantidades de alimento por vez;
- Respeite o tempo da pessoa para mastigar e engolir;
- Evite conversar ou se distrair durante a alimentação;
- Observe se há tosse ou engasgos durante a refeição;
- Após a refeição, mantenha a pessoa sentada por cerca de 20 a 30 minutos;
- Evite alimentos muito secos, duros ou que esfarelam facilmente;
- Ofereça o medicamento na posição sentada.
Em alguns casos pode ser necessário adaptar os alimentos para consistência amassada ou mais pastosa e engrossar os líquidos, sempre seguindo a orientação do fonoaudiólogo ou nutricionista.
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