A doença de Parkinson tem sido descrita pela comunidade científica com um termo forte: pandemia. Embora não seja contagiosa, trata-se de uma condição neurológica que avança de forma acelerada, impulsionada principalmente pelo envelhecimento da população e por mudanças no estilo de vida.

Entre 1990 e 2015, a prevalência global mais que dobrou. Em 2021, cerca de 11,3 milhões de pessoas conviviam com a doença no mundo. Projeções publicadas na revista The BMJ indicam que esse número pode chegar a 25,2 milhões até 2050, representando um aumento de 112%.

No Brasil, estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre aponta que mais de 500 mil pessoas com 50 anos ou mais vivem com a condição. A estimativa é que, até 2060, esse número ultrapasse 1,2 milhão.

O superintendente de Medicina Preventiva da MedSênior, Roni Mukamal, explica que a doença de Parkinson é progressiva e se caracteriza pela morte de neurônios de uma região do cérebro chamada substância negra, responsáveis pela produção de dopamina, neurotransmissor essencial para o controle fino dos movimentos.

Quando essas células começam a desaparecer, surgem sintomas como tremor em repouso, lentidão para executar tarefas simples, rigidez muscular e alterações de equilíbrio e postura.

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O que é a doença de Parkinson e como ela afeta o organismo

A doença de Parkinson é progressiva e ocorre devido à morte de neurônios na substância negra, região do cérebro responsável pela produção de dopamina — neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos.

Com a redução dessa substância, surgem os principais sintomas motores, como:

Esses são alguns dos primeiros sintomas da doença de Parkinson, que costumam levar ao diagnóstico.

Sintomas da doença de Parkinson vão além do tremor

Durante muito tempo, a condição foi vista apenas como um distúrbio motor. Hoje, sabe-se que os sintomas da doença de Parkinson são mais amplos e incluem manifestações não motoras que impactam diretamente a qualidade de vida.

Entre os mais comuns estão:

Em muitos casos, esses sintomas da doença de Parkinson surgem anos antes dos tremores, o que dificulta a identificação precoce.

Impactos e desafios no tratamento da doença de Parkinson

Alterações cognitivas, dificuldade de locomoção, risco de quedas e perda de autonomia tendem a ser mais incapacitantes do que os sintomas motores.

Atualmente, os tratamentos disponíveis para a doença de Parkinson atuam principalmente na reposição ou modulação da dopamina, focando nos sintomas motores. Isso evidencia uma lacuna importante no cuidado integral, especialmente em relação aos sintomas não motores.

Outro ponto de atenção é o aumento de diagnósticos em pessoas mais jovens. Embora a maior incidência ainda esteja entre 60 e 70 anos, já há crescimento de casos em indivíduos com pouco mais de 40 anos.

Como identificar sinais precoces da doença de Parkinson

Reconhecer os sinais iniciais pode fazer diferença no acompanhamento e na qualidade de vida. Entre os principais indícios estão:

Esses sinais podem anteceder os sintomas da doença de Parkinson mais conhecidos e devem ser avaliados por um especialista.

Embora ainda não existam terapias capazes de interromper a progressão na fase inicial, o diagnóstico precoce da doença de Parkinson permite organizar melhor o cuidado e reduzir fatores de risco.

Cinco passos para prevenir o Parkinson

1. Proteger o coração: controlar a pressão, colesterol, diabetes e peso melhora a circulação cerebral e reduz a vulnerabilidade dos neurônios ao envelhecer

Proteger o coração significa manter pressão, glicemia e colesterol sob controle, não fumar e cuidar do peso. O que há de novidade é a ênfase no impacto dessas medidas sobre o cérebro.

A saúde dos vasos que irrigam o sistema nervoso central influencia diretamente a vulnerabilidade dos neurônios a processos degenerativos.

Um idoso com histórico de hipertensão descompensada, por exemplo, tende a ter um cérebro mais fragilizado, com menos reserva para enfrentar o impacto de uma doença como o Parkinson.

2. Manter o corpo em movimento: exercícios aeróbicos e de força, de forma regular aumentam a reserva do cérebro, reduz inflamação e atrasa perda de mobilidade

 Estudos associam a prática regular de atividade física, especialmente exercícios aeróbicos, como caminhada rápida, corrida leve, natação ou bicicleta, combinados a treino de força, a melhor saúde cerebral e menor inflamação sistêmica.

Em quem já tem Parkinson, exercícios supervisionados podem melhorar equilíbrio, marcha, humor e até retardar a progressão da incapacidade. Em quem ainda não tem a doença, o exercício parece funcionar como uma reserva funcional extra para o cérebro, capaz de postergar o aparecimento de sintomas em indivíduos suscetíveis.

3. Reduzir exposição a toxinas: menos contato com agrotóxicos, solventes e metais diminui agressões cumulativas às células cerebrais, especialmente em quem tem risco genético

Reduzir, tanto quanto possível, exposições tóxicas. Isso passa por uso rigoroso de equipamentos de proteção em atividades rurais e industriais, revisão de normas de segurança ocupacional, diminuição do contato caseiro com pesticidas e solventes e fiscalização sobre agrotóxicos.

É uma agenda mais de saúde pública do que de escolha individual  e provavelmente uma das mais difíceis de implementar, mas no dia a dia ter cuidado à procedência dos alimentos e se proteger e ao usar esses produtos.

4. Estimular o cérebro e a vida social: leitura, aprendizado, hobbies, convivência ativa fortalecem redes neurais e dão mais resiliência cognitiva ao longo do envelhecimento

Ler, estudar, aprender coisas novas, praticar hobbies que exijam atenção e planejamento, cultivar amizades e participar de grupos e atividades coletivas são comportamentos associados a maior resiliência cognitiva no envelhecimento.

Não se trata de “blindar” o cérebro, mas de aumentar sua capacidade de compensar perdas, o que pode fazer diferença no momento em que um processo degenerativo começa a se instalar.

5. Cuidar do sono: tratar insônia, apneia e sono fragmentado preserva o período em que o cérebro “se limpa” e se recupera, reduzindo acúmulo de danos

Distúrbios como insônia crônica, sono muito fragmentado ou apneia não tratada têm sido associados a maior risco de doenças neurodegenerativas, entre elas o Parkinson.

O sono profundo é um dos principais momentos de “limpeza” de resíduos metabólicos e proteínas anormais que se acumulam no sistema nervoso. Interromper esse processo noite após noite significa expor o cérebro a um ambiente mais tóxico. Tratar problemas de sono na meia-idade pode ser uma medida estratégica para o cérebro de amanhã.

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