O envelhecimento da população brasileira tem colocado um tema cada vez mais em evidência: o etarismo. Embora o assunto tenha ganhado força nos últimos anos, especialmente nas redes sociais e nos debates sobre diversidade e inclusão, esse tipo de preconceito acompanha a sociedade há muito tempo.

O termo foi criado em 1969 pelo gerontólogo norte-americano Robert Butler para descrever atitudes discriminatórias baseadas na idade. Desde então, o conceito passou a ser amplamente discutido por organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas (ONU), que alertam para os impactos desse preconceito na vida das pessoas.

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Mas, afinal, o que é etarismo e como ele afeta o dia a dia de milhões de brasileiros? Entender o problema é o primeiro passo para combatê-lo.

Aqui você vai ler:

O que é etarismo?

Para entender o que é etarismo, basta pensar em situações em que uma pessoa é julgada, excluída ou limitada apenas por causa da sua idade.

Também conhecido como preconceito etário, o etarismo ocorre quando se atribuem características, comportamentos ou capacidades a alguém com base apenas na faixa etária em que se encontra. Embora seja frequentemente associado às pessoas idosas, esse preconceito também pode atingir os mais jovens.

Em entrevista ao podcast Bem Envelhecer MedSênior, a consultora em longevidade Maria do Carmo Esteves da Cunha, mais conhecida como Madis, explicou que o etarismo é, na prática, “o preconceito contra a idade”.

Ela destaca que muitas pessoas acreditam que o problema afeta apenas os idosos, mas ele pode surgir em diferentes momentos da vida, inclusive quando jovens são considerados “novos demais” para determinadas funções ou responsabilidades.

Etarismo, idadismo e ageísmo são as mesmas coisas?

Sim. Etarismo, idadismo e ageísmo são termos diferentes para definir o mesmo fenômeno.

Enquanto “ageísmo” deriva da palavra inglesa ageism, “idadismo” é o termo adotado oficialmente pela OMS e pela ONU em diversos documentos internacionais. No Brasil, porém, “etarismo” se tornou a expressão mais popular e amplamente utilizada em reportagens, campanhas e debates sobre envelhecimento.

Independentemente da nomenclatura, todos se referem ao preconceito baseado na idade.

Como o etarismo se manifesta?

Muitas vezes, o etarismo está tão presente na cultura que passa despercebido. Ele pode aparecer em comentários aparentemente inofensivos, em oportunidades negadas ou em comportamentos que limitam a autonomia das pessoas.

De acordo com Madis, muitas pessoas reproduzem atitudes etaristas sem perceber. “Às vezes você se pega falando palavras etaristas”, afirma.

Esse preconceito pode se manifestar em diferentes contextos:

Exemplos de etarismo no dia a dia

Algumas situações comuns incluem:

Outro exemplo frequente ocorre quando uma pessoa idosa busca atendimento e não recebe explicações adequadas porque os profissionais presumem que ela não será capaz de compreender determinadas informações.

Como o etarismo afeta a pessoa idosa?

Os impactos vão muito além do constrangimento momentâneo.

Quando uma pessoa é constantemente exposta a mensagens que associam envelhecimento à incapacidade, ela pode começar a acreditar nessas ideias. Isso afeta a autoestima, a confiança e até a disposição para buscar novos desafios.

Madis chama atenção para um aspecto importante: muitas vezes o preconceito acaba sendo internalizado. “Existe também um etarismo que vem de dentro. Depois de anos ouvindo que não são capazes, algumas pessoas passam a acreditar nisso.”

Além disso, o etarismo pode contribuir para isolamento social, exclusão do mercado de trabalho, redução da autoestima, problemas de saúde mental, menor participação em atividades sociais e culturais e limitação da autonomia e do protagonismo.

Esse cenário é especialmente preocupante em um país que envelhece rapidamente. Segundo projeções demográficas, o número de pessoas idosas no Brasil continuará crescendo nas próximas décadas, tornando urgente a construção de uma sociedade mais inclusiva para todas as idades.

Etarismo é crime?

O etarismo pode configurar discriminação e, dependendo da situação, gerar consequências legais.

No Brasil, o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) estabelece direitos e prevê punições para práticas discriminatórias contra pessoas com 60 anos ou mais. Negar emprego, dificultar acesso a serviços ou constranger alguém por causa da idade pode resultar em responsabilização civil e, em alguns casos, criminal.

Por isso, além de ser uma questão de respeito e cidadania, combater o etarismo também é uma obrigação social e legal.

Como combater o etarismo?

Se a pergunta é o que é etarismo, a resposta não estaria completa sem discutir como enfrentá-lo.

O combate ao preconceito etário passa por uma mudança cultural profunda. É preciso reconhecer o envelhecimento como uma etapa natural da vida e valorizar a contribuição das diferentes gerações para a sociedade.

Algumas atitudes podem fazer a diferença:

Evitar estereótipos

Nem toda pessoa idosa é frágil, dependente ou resistente à tecnologia. Da mesma forma, nem todo jovem é inexperiente ou irresponsável.

Respeitar a individualidade

Cada pessoa tem sua própria trajetória, habilidades e interesses. A idade não define capacidades ou limitações.

Promover a convivência entre gerações

A troca de experiências entre diferentes faixas etárias contribui para reduzir preconceitos e fortalecer relações mais saudáveis.

Valorizar o aprendizado contínuo

Como destaca Madis, “o aprendizado vale para qualquer fase da vida”. Incentivar a atualização constante e o desenvolvimento de novas habilidades é fundamental.

Dar visibilidade ao protagonismo das pessoas idosas

Mostrar histórias de pessoas que empreendem, estudam, viajam, trabalham e realizam sonhos ajuda a romper estereótipos e ampliar a percepção sobre o envelhecimento.

Envelhecer é uma conquista

Compreender o que é etarismo é essencial para construir uma sociedade mais inclusiva e preparada para o futuro. Afinal, envelhecer não deve ser visto como uma limitação, mas como parte natural da experiência humana.

Como resume Madis, “a idade é uma conquista, não uma derrota”. Combater o preconceito etário significa reconhecer o valor das pessoas em todas as fases da vida e garantir que todos possam envelhecer com respeito, autonomia e protagonismo.

MedSênior: o plano de saúde para a terceira idade que respeita e valoriza cada fase da vida

Combater o etarismo começa pelo reconhecimento de que envelhecer é uma conquista — e que cada fase da vida merece cuidado, respeito e atenção especializada. A MedSênior é o plano de saúde para a terceira idade desenvolvido especialmente para pessoas com 49 anos ou mais, com uma proposta que vai além da medicina: é um cuidado integral que valoriza a autonomia, o protagonismo e o bem-estar de cada beneficiário.

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