A confusão mental em idosos é um sintoma que frequentemente assusta familiares e cuidadores. Em geral, o primeiro pensamento é de um problema neurológico, como início de demência ou Alzheimer. No entanto, é fundamental saber que, em pessoas mais velhas, a confusão pode ser sinal de infecção urinária, mesmo sem os sintomas clássicos como febre ou dor ao urinar.

Segundo o geriatra Roni Mukamal, superintendente de Medicina Preventiva da MedSênior, a confusão mental é mais comum em idosos porque, com o envelhecimento, há uma redução da chamada “reserva cerebral”, ou seja, o cérebro fica mais vulnerável a alterações e agressões, tornando-se mais suscetível a quadros de desorientação diante de infecções.

“Pessoas com mais idade podem não apresentar os sintomas típicos da infecção urinária, como dor ou ardor ao urinar e aumento da frequência urinária. Em vez disso, podem ficar mais sonolentas, agitadas ou apresentar mudanças súbitas de comportamento. Isso é um importante indício de infecção”, alerta o médico.

Entre os sintomas de confusão mental estão não reconhecer familiares, imaginar situações irreais e ver coisas que não existem ou ouvir vozes. Essas alterações podem ser confundidas com quadros psiquiátricos ou neurológicos, mas, na maioria dos casos, são reversíveis com o tratamento adequado da infecção.

O geriatra explica que nas pessoas mais jovens, a infecção urinária costuma se restringir à bexiga e está relacionada a fatores como atividade sexual ou não urinar com frequência. Já nos idosos, o problema geralmente está associado à dificuldade de esvaziar completamente a bexiga, o que facilita a proliferação de bactérias.

Prevenção e tratamento

Condições comuns no envelhecimento, como diabetes (que reduz a imunidade e a força de contração da bexiga) ou, nos homens a partir dos 50 anos, o crescimento da próstata (que dificulta o ato de urinar), também aumentam o risco.

Além disso, nas mulheres, a infecção urinária é mais prevalente devido à anatomia: a uretra feminina é mais curta e próxima ao ânus, facilitando a entrada de micro-organismos. “Na menopausa, a ocorrência é ainda maior por conta da redução de estrógeno, hormônio que protege o sistema urinário”, explica.

O geriatra ressalta que, em alguns casos, o próprio organismo consegue eliminar as bactérias, mas é fundamental buscar avaliação médica diante de qualquer suspeita, especialmente se houver alteração do estado mental.

“Em geral, o tratamento requer o uso de antibióticos, escolhidos conforme o tipo de bactéria identificado no exame de urina. Mas, a dica para quem vive com idosos é observar mudanças repentinas de comportamento, sonolência excessiva, agitação ou confusão mental e procurar atendimento médico. Muitas doenças podem se apresentar com os mesmos sintomas e o médico terá condições de avaliar o paciente, solicitando, se for o caso, exames para apoiar o diagnóstico”, ressalta.

Além de AVCs e infecções de diversas ordens, a confusão mental pode ser também consequência de intoxicação alcoólica ou por uso de drogas, dor, desidratação, pancadas e ferimentos na cabeça, febre, uso crônico de medicamentos, desequilíbrio nos níveis de sódio, constipação intestinal, infarto, entre outros. “Consideramos a confusão mental uma emergência geriátrica. Pela ampla gama de doenças relacionadas ao sintoma, é preciso avaliar o quadro o mais rapidamente possível”, considera.

Cuidados

– A primeira orientação que o idoso deve seguir é a ingestão de água, principalmente durante os meses que são mais quentes.

– A higiene adequada também é fundamental. Isso inclui, nas mulheres, passar o papel higiênico de frente para trás e não o contrário.

– No caso de idosos usam fralda, a higiene e a troca frequentes são cuidados importantes. A fralda em si não aumenta o risco de infecção urinária no idoso, mas a incontinência urinária sim. O idoso com esta condição a ter um grau de retenção urinária, ou seja, a bexiga não se esvazia por completo, o que favorece a infecção ou dificulta o tratamento.

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