
A hipertensão em idosos é uma condição de saúde pública que merece atenção redobrada. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 38 milhões de brasileiros vivem com a condição e, entre os idosos, a prevalência é ainda maior chegando a 60,9% entre pessoas com 65 anos ou mais. Em 17 de maio, celebra-se o Dia Mundial da Hipertensão, data dedicada à conscientização sobre os riscos e cuidados com a doença, especialmente na terceira idade.
O coordenador regional de cardiologia da MedSênior, o médico Augusto Neno, destaca que é comum as pessoas se preocuparem com o aumento da pressão arterial após os 50 ou 60 anos, mas alerta que quem quiser reduzir o risco de doenças mais graves na terceira idade, incluindo condições cognitivas, deve cuidar da pressão desde cedo.
“Se quisermos um cérebro saudável após os 60 anos, temos que nos certificar de que nossa pressão arterial estará dentro de uma faixa considerada saudável quando estivermos com 30 ou 40 anos”, orienta.
Por isso, neste conteúdo trazemos um ponto a ponto sobre a hipertensão em idosos para te ajudar a identificar e cuidar da condição.
O que causa hipertensão em idosos?
A hipertensão em idosos é causada por uma combinação de fatores genéticos e ambientais. O envelhecimento natural das artérias, que perdem elasticidade, é um dos principais responsáveis pelo aumento da pressão arterial nessa faixa etária. Outros fatores incluem histórico familiar, excesso de peso, sedentarismo, alimentação rica em sal, consumo de álcool, tabagismo e doenças renais ou endócrinas.
Além disso, a cognição, o grau de fragilidade e a presença de outras comorbidades devem ser levados em conta na avaliação do idoso hipertenso, já que afetam diretamente o controle da doença.
Quando a pressão é considerada alta?
A partir de 140 x 90 mmHg, medida com a técnica correta, em pelo menos duas ocasiões diferentes, na ausência de medicação anti-hipertensiva. O paciente deve estar sentado confortavelmente em ambiente silencioso por 5 minutos antes da medição, sem conversar no momento, com o manguito adequado para a sua circunferência do braço.
Estar com a bexiga vazia, não ter praticado exercícios nos últimos 60 minutos, não ter ingerido bebida alcoólica, café ou alimentos e não ter fumado nos últimos 30 minutos. Deve realizar 3 medidas com intervalos de 2 minutos entre elas e registrar a média.
Quais são os sintomas de hipertensão?
A hipertensão em idosos muitas vezes é silenciosa, sem sintomas aparentes. No entanto, alguns sinais podem surgir, como:
– Dor de cabeça persistente
– Tontura
– Falta de ar
– Visão embaçada
– Zumbido no ouvido
– Palpitações
Por isso, é fundamental medir a pressão com regularidade, especialmente se há histórico familiar ou fatores de risco associados.
O que a hipertensão em idosos pode causar?
Se não for controlada, a hipertensão em idosos pode levar a sérias complicações, como:
– Acidente vascular cerebral (AVC)
– Infarto agudo do miocárdio
– Insuficiência renal
– Demência e prejuízo cognitivo
– Complicações nos olhos e nos vasos sanguíneos
Além disso, a pressão alta afeta diretamente a qualidade de vida do idoso, reduzindo sua autonomia e aumentando o risco de internações.
Como tratar hipertensão em idosos?
A hipertensão não tem cura, apenas controle. Por ser uma condição multifatorial, apresentar alta prevalência, ser um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares e renais, possuir tratamento adequado, o seu controle é fundamental, apesar de difícil pela baixa adesão ao tratamento.
As principais intervenções para controle começam por estratégias para mudança do estilo de vida (controle do peso, dieta saudável, redução na ingesta de sal, aumento na ingestão de potássio, atividade física, reduzir consumo de álcool e tabagismo, controle do stress e incentivar um conceito de espiritualidade que significa um conjunto de valores morais, emocionais, de comportamento e atitudes com relação ao mundo).
Tratamento medicamentoso individualizado para o perfil de cada paciente e estratégias para adesão ao tratamento a longo prazo.
Lembre-se: para confirmar o diagnóstico de hipertensão, é necessário consultar um médico. Além disso, a abordagem deve sempre ser individualizada, com acompanhamento médico constante para garantir que as metas de pressão estejam sendo alcançadas de forma segura.
