
Nos últimos anos, os medicamentos injetáveis análogos a hormônios como GLP-1, também conhecidos como “canetas emagrecedoras”, passaram a fazer parte do tratamento de pessoas com obesidade ou sobrepeso associado a doenças crônicas.
Inicialmente elas eram indicadas para o tratamento do diabetes tipo 2 e, mais recentemente, tornaram-se comuns, também, para estratégias de controle do peso.
No Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, é importante trabalhar a conscientização, reforçando que, apesar da popularização, o uso desses medicamentos exige atenção redobrada quando indicado para pessoas idosas, especialmente aquelas com comorbidades. A aplicação deve ser feita apenas sob orientação médica.
“Em pessoas a partir dos 60, o organismo responde de forma diferente aos remédios, o que aumenta o risco de efeitos adversos quando o uso ocorre sem avaliação clínica adequada”, alerta a geriatra da MedSênior, Fernanda Sperandio.
Leia também: Idosos obesos: riscos, causas e prevenção. Saiba mais.
Aqui você vai ler:
- 💉 O que são as canetas emagrecedoras e como atuam no organismo
- 👵 Idosos podem usar? Quais são os riscos após os 60 anos
- ⚠️ Cuidados especiais para quem tem comorbidades
- ❤️ Benefícios além da perda de peso, como controle glicêmico e redução de risco cardiovascular
- 🩺 Por que o acompanhamento médico é indispensável durante o tratamento
Cuidados específicos para pessoas com mais de 60 anos ou com comorbidades
Em pessoas idosas, o uso das canetas emagrecedoras requer avaliação ainda mais criteriosa. Isso porque, o envelhecimento traz mudanças naturais no metabolismo, na composição corporal e na resposta aos medicamentos.
Além disso, é comum que esse público faça uso de múltiplos remédios, o que aumenta o risco de interações medicamentosas.
Desta forma, antes de adotar o tratamento com canetas emagrecedoras, pessoas idosas devem se atentar para os seguintes cuidados:
- Fazer uma avaliação do estado nutricional e da massa muscular;
- Analisar o histórico de doenças cardiovasculares, renais e gastrointestinais;
- Monitorar quadros de fragilidade, sarcopenia ou desnutrição.
“Pessoas com comorbidades devem utilizar essas medicações apenas quando os benefícios superarem os riscos, sempre com acompanhamento médico especializado e integrado a mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada e prática de atividade física adaptada à idade”, explica a geriatra.
Outro ponto importante é entender que o uso de canetas emagrecedoras, quando indicado pelo médico, faz parte de um plano terapêutico individualizado, que considera não apenas o peso, mas o histórico clínico, a funcionalidade e o bem-estar do paciente. “Mais do que emagrecer, o objetivo deve ser promover envelhecimento saudável, com autonomia, qualidade de vida e segurança no uso de novas terapias”, ressalta a geriatra.
O que são as canetas emagrecedoras
As canetas emagrecedoras são medicamentos injetáveis, aplicados de forma subcutânea, em regiões do corpo com maior acúmulo de gordura, geralmente uma vez por semana.
A geriatra explica que elas atuam imitando a ação de hormônios naturais do organismo, como o GLP-1, responsáveis por regular o apetite, a saciedade e o esvaziamento gástrico. Como resultado, ajudam a reduzir a fome, controlar a ingestão alimentar e melhorar parâmetros metabólicos.
“Mas é importante frisar que esses medicamentos não são cosméticos nem soluções rápidas para perda de peso. Seu uso é indicado principalmente para o tratamento da obesidade e do sobrepeso associado a condições como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e dislipidemia”, frisa.
Para que servem e quando são indicadas
Fernanda Sperandio também pondera que se o médico prescrever esse tipo de medicamento para o paciente idoso, a perda de peso não deve ser o único objetivo.
Afinal, apesar de conhecidas como canetas emagrecedoras, esses medicamentos vão muito além disso, promovendo a melhora da saúde global, ou seja, além de redução do peso corporal, esses remédios podem auxiliar:
- Na melhora do controle glicêmico;
- Na melhora de condições associadas à obesidade como diabetes tipo 2, hipertensão e colesterol alto;
- Na redução do risco cardiovascular em pacientes selecionados.
Como devem ser usadas
A eficácia dos medicamentos injetáveis também está na forma que ele deve ser aplicado. O primeiro passo é ter uma prescrição médica individualizada e fazer o ajuste progressivo das doses.
Uma vez com a caneta em mãos, sua aplicação é simples e deve ser feita seguindo rigorosamente a dosagem e o dia/horário prescritos pelo médico.
O medicamento deve ser aplicado por via subcutânea, ou seja, deve ser injetado nas partes do corpo com maior acúmulo de gordura, como abdômen, coxas ou a parte superior do braço.
A facilidade da aplicação não significa falta de efeitos colaterais, pelo contrário, a Dra. Fernanda Sperandio afirma que nas primeiras semanas de tratamento podem acontecer quadros de náuseas, vômitos, diarreia ou constipação, por isso, o acompanhamento médico contínuo é fundamental.
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