
A intoxicação medicamentosa continua entre os principais problemas de saúde pública no Brasil. O Ministério da Saúde emitiu um alerta, no último dia 5, sobre automedicação e o uso inadequado de remédios, que podem provocar reações adversas, agravamento de doenças, interações perigosas, internações e até mortes, especialmente entre públicos mais vulneráveis, como crianças e idosos.
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No Espírito Santo, dados do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox-ES) indicam que os medicamentos lideram os registros de intoxicação atendidos pelos serviços especializados. Somente em 2025, foram contabilizados mais de oito mil casos de exposições e intoxicações por medicamentos.
Entre os grupos mais vulneráveis aos riscos associados ao uso incorreto de remédios estão as crianças e os idosos. Enquanto no primeiro grupo os episódios de intoxicação medicamentosa estão frequentemente relacionados à ingestão acidental, entre os idosos os casos costumam estar ligados ao uso simultâneo de múltiplos medicamentos e à falta de acompanhamento adequado.
Em relação às crianças, é imprescindível que pais e responsáveis não deixem remédios ao alcance delas. Já com os idosos, o geriatra e superintendente de Medicina Preventiva da MedSênior, Dr. Roni Mukamal, alerta que é fundamental redobrar a atenção, considerando as alterações fisiológicas do envelhecimento e o uso frequente de múltiplos medicamentos, o que pode aumentar o risco de reações adversas e interações medicamentosas.
“O envelhecimento altera a forma como o organismo processa os medicamentos, tornando os pacientes mais suscetíveis a reações adversas. Com o avanço da idade, funções como a renal e a hepática tendem a diminuir, o que interfere diretamente na metabolização dos medicamentos e aumenta o risco de efeitos colaterais”, explica.
O geriatra ressalta que o uso de diferentes medicamentos ao mesmo tempo exige acompanhamento constante. “Muitos idosos convivem com doenças crônicas e acabam utilizando diversas medicações simultaneamente. Isso aumenta o risco de interações medicamentosas, tonturas, quedas e até internações”, alerta.
Riscos da automedicação
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso racional de medicamentos envolve administrar o medicamento correto, na dose certa, pelo tempo adequado e sempre com acompanhamento profissional. Fora desses padrões, os riscos de complicações aumentam significativamente.
Para o farmacêutico Thiago de Melo, convidado da MedSênior no episódio mais recente do podcast Bem Envelhecer, a banalização da automedicação, tão comum no Brasil, faz com que muitas pessoas desconheçam riscos importantes à saúde.
“Muitas pessoas enxergam o medicamento como uma solução rápida e simples, sem considerar possíveis interações, efeitos colaterais ou até o risco de mascarar sintomas de doenças mais graves”, explica.
Outro ponto de atenção, segundo o farmacêutico, é a combinação de medicamentos com bebidas alcoólicas, suplementos e até determinados alimentos, que podem alterar o efeito dos remédios.
“Há substâncias que podem perder eficácia dependendo da forma como são ingeridas. Em alguns casos, alimentos e bebidas interferem diretamente na absorção do medicamento ou podem potencializar alguns efeitos adversos”, destaca.
Thiago também alerta para a chamada “cascata de prescrição”, quando um efeito colateral causado por um medicamento é confundido com um novo problema de saúde, levando ao uso de novos remédios. “Um erro inicial pode desencadear uma sequência de prescrições desnecessárias e aumentar ainda mais os riscos ao paciente”, afirma.
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