O uso de vários medicamentos ao mesmo tempo pode fazer parte do tratamento de pessoas que convivem com mais de uma condição de saúde.

No entanto, especialmente na terceira idade, o acompanhamento das prescrições merece atenção para evitar combinações desnecessárias, interações e efeitos adversos. É nesse contexto que entra a polifarmácia em idosos.

O Ministério da Saúde considera polifarmácia o uso regular de cinco ou mais medicamentos simultaneamente. A prática, porém, não significa necessariamente que todos os medicamentos sejam inadequados: em alguns casos, vários remédios são necessários e podem trazer benefícios quando prescritos e acompanhados de forma individualizada.

“Quando falamos em polifarmácia, não estamos dizendo que uma pessoa não deve usar vários medicamentos. O ponto principal é avaliar se cada medicamento continua sendo necessário, se a dose está adequada e se o conjunto das prescrições é seguro para aquela pessoa”, explica a Dra. Fernanda Sperandio, geriatra da MedSênior.

Aqui você vai ver
-O que é polifarmácia?
– A partir de quantos medicamentos é considerada polifarmácia?
– Quais os riscos da polifarmácia?
– Por que a polifarmácia é mais comum em idosos?
– Quais são os efeitos da polifarmácia em idosos?
– Polifarmácia e interação medicamentosa são a mesma coisa?
– Polifarmácia e automedicação: qual é a relação?
– Como evitar os riscos da polifarmácia?
– Perguntas frequentes sobre polifarmácia.

O que é polifarmácia?

A polifarmácia em idosos é caracterizada, de forma geral, pelo uso simultâneo e regular de cinco ou mais medicamentos.

O termo é utilizado para descrever uma situação que pode ocorrer quando uma pessoa precisa tratar diferentes condições de saúde ou quando diferentes profissionais prescrevem medicamentos ao longo do tempo.

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) destaca que o envelhecimento provoca alterações no funcionamento de órgãos e sistemas, como fígado e rins, que podem modificar a forma como os medicamentos são absorvidos, metabolizados e eliminados pelo organismo.

Isso exige atenção especial à escolha e ao acompanhamento dos tratamentos.

É importante lembrar que polifarmácia não é sinônimo de uso incorreto de medicamentos. Uma pessoa pode precisar de cinco ou mais remédios para controlar diferentes condições. O cuidado está em verificar periodicamente se todos continuam indicados e se os benefícios superam os possíveis riscos.

“Em geriatria, a pergunta não deve ser apenas ‘quantos medicamentos essa pessoa toma?’. É preciso entender para que cada um deles foi prescrito, quais benefícios oferece, quais efeitos adversos pode provocar e como ele interage com os demais”, afirma a Dra. Fernanda.

A partir de quantos medicamentos é considerada polifarmácia?

O critério adotado pelo Ministério da Saúde considera cinco ou mais medicamentos usados simultaneamente como polifarmácia. O número, entretanto, não deve ser analisado isoladamente.

Uma pessoa que utiliza cinco medicamentos necessários e adequadamente acompanhados pode estar em uma situação diferente daquela que utiliza a mesma quantidade sem uma indicação atual ou sem revisão periódica.

Por isso, mais importante do que simplesmente contar os medicamentos é avaliar a necessidade, a dose, a duração do tratamento, os possíveis efeitos adversos e as interações entre eles.

Quais os riscos da polifarmácia?

Os riscos da polifarmácia em idosos estão relacionados principalmente ao aumento da possibilidade de efeitos adversos, interações entre medicamentos, erros no uso e dificuldade para seguir corretamente o tratamento.

Entre os possíveis problemas estão:
– Tontura;
– Sonolência;
– Queda da pressão arterial;
– Confusão mental;
– Alterações gastrointestinais;
– Alterações na capacidade de atenção e no estado de alerta;
– Maior risco de quedas;
– Interações medicamentosas;
– Dificuldade para seguir corretamente os horários e doses;
– Necessidade de atendimento médico ou hospitalar em situações de eventos adversos.

“Alguns sintomas que aparecem no dia a dia, como tontura, sonolência ou alteração da atenção, podem ter diferentes causas. Por isso, quando surgem depois do início ou da mudança de um medicamento, é importante investigar se existe relação com o tratamento antes de simplesmente acrescentar outro remédio”, explica a Dra. Fernanda.

Por que a polifarmácia é mais comum em idosos?

A polifarmácia em idosos está frequentemente relacionada à maior ocorrência de condições crônicas ao longo do envelhecimento.

Hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, alterações osteoarticulares e outras condições podem exigir tratamentos diferentes.

Além disso, uma mesma pessoa pode ser acompanhada por diferentes especialistas, o que aumenta a importância de integrar as informações sobre os medicamentos utilizados.

O próprio processo de envelhecimento também modifica a maneira como o organismo responde aos medicamentos. Segundo o Ministério da Saúde, alterações na função do fígado e dos rins podem interferir na absorção, distribuição e eliminação das substâncias.

Polifarmácia e interação medicamentosa são a mesma coisa?

Não. Polifarmácia e interação medicamentosa são conceitos diferentes, embora possam estar relacionados.

Polifarmácia é o uso simultâneo de vários medicamentos, geralmente definido como cinco ou mais. Já a interação medicamentosa ocorre quando um medicamento interfere na ação de outro medicamento, alimento ou outra substância, podendo modificar seus efeitos.

Assim, uma pessoa pode fazer uso de vários medicamentos sem apresentar uma interação relevante. Por outro lado, uma interação pode acontecer mesmo com uma quantidade menor de medicamentos.

O risco de interações aumenta conforme cresce o número de medicamentos utilizados, razão pela qual a revisão das prescrições é uma importante estratégia de segurança.

Polifarmácia e automedicação: qual é a relação?

A automedicação pode aumentar os riscos relacionados à polifarmácia em idosos, principalmente quando um medicamento é acrescentado à rotina sem que o profissional de saúde saiba que ele está sendo utilizado.

Esse cuidado também vale para produtos que muitas pessoas não consideram medicamentos, como vitaminas, suplementos, chás, fitoterápicos e outras preparações. O Ministério da Saúde orienta que todos esses produtos sejam informados à equipe de saúde, pois podem interferir na ação de medicamentos.

“A automedicação pode parecer inofensiva, especialmente quando se trata de um produto conhecido ou vendido sem receita. Mas, para uma pessoa que já utiliza vários medicamentos, é importante avaliar o conjunto. O que parece um remédio simples pode alterar a ação de outro medicamento ou aumentar determinado efeito”, alerta a Dra. Fernanda.

Por isso, não é recomendado iniciar, interromper ou alterar a dose de um medicamento por conta própria.

Como evitar os riscos da polifarmácia?

A principal estratégia para reduzir os riscos é realizar revisões periódicas dos medicamentos com a equipe de saúde.

Alguns cuidados podem ajudar:

Mantenha uma lista atualizada: anote todos os medicamentos utilizados, incluindo nome, dose, horário e motivo do uso. Inclua também suplementos, vitaminas, fitoterápicos e medicamentos utilizados eventualmente.

Informe todos os profissionais: sempre conte ao médico, dentista, farmacêutico ou outro profissional de saúde quais medicamentos fazem parte da rotina.

Não interrompa medicamentos por conta própria: mesmo quando existe suspeita de efeito adverso, a suspensão de alguns medicamentos precisa ser orientada pelo profissional responsável.

Leve os medicamentos às consultas quando necessário: ter as embalagens ou uma lista atualizada facilita a conferência das substâncias, doses e horários.

Observe mudanças depois de iniciar ou alterar um medicamento

Tontura, sonolência, confusão, fraqueza ou outros sintomas novos devem ser comunicados à equipe de saúde, principalmente quando surgem após uma mudança no tratamento.

“A revisão medicamentosa é uma oportunidade para olhar para o tratamento de forma global. Às vezes, um medicamento pode não ser mais necessário; em outras situações, a dose precisa ser ajustada ou existe uma alternativa mais adequada. Essa decisão deve ser individualizada e feita com segurança”, orienta a Dra. Fernanda.

A revisão também pode identificar medicamentos duplicados, tratamentos que perderam a indicação ou combinações que precisam de maior acompanhamento.

A OMS destaca a importância de uma abordagem centrada na pessoa e da atuação integrada dos profissionais de saúde para promover o uso seguro de medicamentos.

Perguntas frequentes sobre polifarmácia

A partir de quantos medicamentos é considerada polifarmácia?
Geralmente, a partir do uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos.

Quais são os riscos da polifarmácia em idosos?
Podem incluir efeitos adversos, interações medicamentosas, tontura, confusão, quedas e dificuldades para seguir corretamente o tratamento.

Quais são os efeitos da polifarmácia?
Os efeitos variam, mas podem incluir sonolência, tontura, alterações da pressão arterial, confusão e outros eventos adversos.

Polifarmácia pode causar tontura?
Pode. Alguns medicamentos podem provocar tontura ou queda da pressão, e o risco pode aumentar quando vários medicamentos são utilizados.

Polifarmácia pode causar confusão mental?
Pode contribuir para alterações cognitivas ou confusão em determinadas situações, especialmente quando há medicamentos que afetam o sistema nervoso central ou outras condições associadas. A avaliação médica é importante.

Polifarmácia aumenta o risco de quedas?
Sim. Alguns medicamentos podem favorecer tontura, sonolência ou queda da pressão, fatores associados ao risco de quedas em pessoas idosas.

Polifarmácia pode causar interação medicamentosa?
Pode aumentar a possibilidade de interações, mas polifarmácia e interação medicamentosa não são sinônimos.

Como evitar os riscos da polifarmácia?
Mantenha acompanhamento regular, informe todos os medicamentos utilizados e faça revisões periódicas das prescrições com a equipe de saúde.

Como fazer uma revisão dos medicamentos?
O ideal é procurar o médico ou outro profissional habilitado para avaliar todos os medicamentos, doses, horários, indicações, possíveis efeitos adversos e interações.

É possível reduzir o número de medicamentos?
Em alguns casos, sim. A redução deve ser feita de forma individualizada e com orientação profissional. O objetivo não é simplesmente diminuir a quantidade de medicamentos, mas garantir que cada tratamento utilizado tenha indicação e benefício para a pessoa.