Com o aumento da população idosa, cresce também o número de fraturas ósseas relacionadas à osteoporose a osteopenia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o número de casos dessas doenças deve crescer três vezes até 2050, chegando a cerca de 6,3 milhões de diagnósticos no mundo.

No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, 10 milhões de brasileiros são afetados pela osteopenia. Embora não seja sinônimo de osteoporose, a osteopenia pode aumentar o risco de perda óssea e de fraturas, principalmente quando está associada a outros fatores de risco.

“Por isso, identificar alterações na densidade óssea e manter o acompanhamento de saúde são medidas importantes para preservar a força dos ossos e a autonomia ao longo da vida”, afirma Dr. Roni Mukamal, geriatra e superintendente do Programa Bem Envelhecer, da MedSênior.

A avaliação também permite identificar situações que podem ser modificadas, como sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo e consumo excessivo de álcool.

O que é osteopenia?

O termo osteopenia é utilizado para descrever uma redução da densidade mineral óssea que está abaixo do considerado normal, mas ainda não alcança os valores utilizados para caracterizar a osteoporose.

Os ossos estão em constante processo de renovação. Ao longo da vida, o organismo remove tecido ósseo antigo e produz tecido novo. Com o envelhecimento, esse equilíbrio pode se alterar, fazendo com que a perda de massa óssea seja maior do que sua reposição.

A densidade mineral óssea é avaliada principalmente por meio da densitometria óssea, exame que permite medir a quantidade de mineral presente em determinadas regiões dos ossos.

É importante destacar que o resultado da densitometria não deve ser interpretado isoladamente. Idade, histórico de fraturas, uso de determinados medicamentos e outras condições de saúde também podem influenciar o risco de fratura.

Osteopenia é uma doença?

A classificação indica uma redução da densidade mineral óssea, mas não significa, por si só, que a pessoa tenha osteoporose. A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui a osteopenia entre as condições que afetam os ossos e ressalta a importância de considerar a saúde musculoesquelética ao longo de toda a vida.

Por isso, receber esse diagnóstico não significa necessariamente que haverá evolução para osteoporose. O risco depende de diversos fatores e deve ser avaliado individualmente por um profissional de saúde.

Osteopenia é grave?

O diagnóstico de osteopenia não significa que a pessoa terá uma fratura ou desenvolverá osteoporose. No entanto, a redução da densidade mineral óssea pode estar associada a um risco maior de fraturas, especialmente quando existem outros fatores que contribuem para a fragilidade dos ossos.

A OMS aponta idade avançada, histórico pessoal ou familiar de fraturas, menopausa, baixo peso corporal, sedentarismo, deficiência de cálcio e vitamina D, tabagismo, consumo de álcool e uso de determinados medicamentos entre os fatores relacionados ao risco de fraturas por fragilidade.

Por isso, o acompanhamento é importante. A partir da avaliação individual, o profissional de saúde pode orientar mudanças no estilo de vida, investigar possíveis causas da perda óssea e definir quando exames ou tratamentos específicos são necessários.

Quais são os sintomas da osteopenia?

Na maioria dos casos, a osteopenia não causa sintomas. A pessoa pode apresentar redução da densidade mineral óssea sem sentir dor ou perceber qualquer alteração no dia a dia.

Por esse motivo, a condição costuma ser identificada durante uma avaliação da saúde óssea, principalmente por meio da densitometria. A perda de massa óssea também pode passar despercebida até que uma fratura aconteça.

Osteopenia dói?

A osteopenia, por si só, geralmente não provoca dor. Dores nos ossos ou nas pernas não são sinais específicos da condição e podem ter diversas outras causas.

Quando há dor persistente, fraturas, perda de altura ou outras alterações, é importante buscar avaliação médica para investigar a origem dos sintomas.

Quais são as causas da osteopenia?

A perda de massa óssea pode estar relacionada a uma combinação de fatores. Entre os principais estão:
– Envelhecimento: com o passar dos anos, a formação de tecido ósseo pode não acompanhar a velocidade de sua reabsorção;

– Menopausa e alterações hormonais: a redução dos níveis de estrogênio após a menopausa está associada à aceleração da perda óssea;

– Baixa ingestão de cálcio: o mineral é fundamental para a formação e manutenção dos ossos;

– Deficiência de vitamina D: pode prejudicar o aproveitamento do cálcio pelo organismo;

– Sedentarismo: a falta de atividade física reduz estímulos importantes para a manutenção da massa óssea e muscular;

– Tabagismo: está relacionado a maior risco de perda óssea e fraturas;

– Consumo excessivo de álcool: pode contribuir para alterações na saúde dos ossos;

– Baixo peso corporal: está associado a maior risco de perda óssea e fraturas;

– Histórico familiar: antecedentes de fraturas ou osteoporose podem aumentar o risco;

– Algumas doenças: determinadas condições podem afetar o metabolismo ósseo;

– Uso prolongado de determinados medicamentos: entre eles estão os glicocorticoides, além de outros medicamentos que podem aumentar o risco de perda óssea ou fraturas.

Isso significa que nem todos os fatores relacionados à perda óssea podem ser modificados. Ainda assim, hábitos de vida e acompanhamento de saúde podem ajudar a reduzir riscos e preservar a saúde dos ossos.

Quem tem maior risco de desenvolver osteopenia?

A perda de massa óssea pode acontecer com o envelhecimento, mas algumas pessoas apresentam maior probabilidade de desenvolver alterações na densidade mineral óssea.

Entre os grupos que merecem atenção estão:
– Pessoas mais velhas;
– Mulheres após a menopausa;
– Homens em idades mais avançadas;
– Pessoas com histórico familiar de osteoporose ou fraturas;
– Pessoas com baixo peso corporal;
– Indivíduos sedentários;
– Pessoas que fumam ou fazem consumo excessivo de álcool;
– Pessoas com deficiência de cálcio ou vitamina D;
– Indivíduos que utilizam determinados medicamentos por períodos prolongados;
– Pessoas com doenças ou condições que podem interferir na saúde dos ossos.

A presença de um ou mais fatores de risco não significa que a pessoa necessariamente terá perda importante de massa óssea. A avaliação deve considerar o conjunto de características de cada indivíduo.

Qual a diferença entre osteopenia e osteoporose?

A principal diferença está no grau de redução da densidade mineral óssea e no risco associado à fragilidade dos ossos.

A osteoporose é uma doença caracterizada não apenas pela redução da densidade óssea, mas também pela deterioração da estrutura do tecido ósseo, o que aumenta a fragilidade e a possibilidade de fraturas.

Por isso, ter osteopenia não significa necessariamente ter osteoporose ou que a condição irá evoluir para ela. O risco de fratura depende também de fatores como idade, histórico de fraturas, quedas, medicamentos, condições de saúde e características individuais.

Como é feito o diagnóstico?

A avaliação da densidade mineral óssea é feita principalmente pela densitometria óssea, exame que utiliza uma técnica de baixa dose de radiação para medir a quantidade de mineral presente nos ossos.

O resultado pode ser utilizado pelo profissional de saúde junto a outras informações clínicas para avaliar a saúde óssea e o risco de fraturas.

A indicação da densitometria não é igual para todas as pessoas. Idade, sexo, menopausa, histórico de fraturas e outros fatores de risco podem ser considerados na decisão sobre a necessidade do exame.

Como tratar a osteopenia?

O tratamento depende das características de cada pessoa e do risco de fratura. Em muitos casos, o cuidado envolve medidas para preservar a massa óssea e evitar a progressão da perda.

Entre as principais estratégias estão:
– Manter uma alimentação equilibrada, com quantidade adequada de cálcio e outros nutrientes;
– Garantir níveis adequados de vitamina D, conforme avaliação profissional;
– Praticar atividade física regularmente, especialmente exercícios que trabalhem força e resistência;
– Evitar o tabagismo;
– Limitar o consumo de bebidas alcoólicas;
– Manter um peso adequado;
– Prevenir quedas, especialmente entre pessoas mais velhas;
– Acompanhar regularmente a saúde óssea quando houver indicação.

A suplementação de cálcio ou vitamina D e o uso de medicamentos não devem ser iniciados por conta própria. A necessidade e a escolha do tratamento devem ser avaliadas individualmente pelo profissional de saúde.

Como prevenir a perda de massa óssea?


Cuidar da saúde dos ossos começa antes do diagnóstico de alterações na densidade mineral óssea. A prática regular de atividade física, alimentação adequada, manutenção de um peso saudável e abandono do cigarro são medidas que contribuem para a saúde musculoesquelética.

Também é importante manter consultas e exames de acompanhamento quando indicados, principalmente para pessoas que apresentam fatores de risco.

O cuidado com os ossos faz parte de uma abordagem de envelhecimento saudável. Identificar alterações precocemente e controlar fatores de risco pode contribuir para preservar a mobilidade, a independência e a qualidade de vida ao longo dos anos.