
Com o passar dos anos, o corpo masculino passa por mudanças naturais, que também podem envolver a produção de hormônios. A partir dos 40 anos, por exemplo, os níveis de testosterona podem apresentar uma redução gradual, que varia de pessoa para pessoa.
Diferentemente da menopausa, que representa uma mudança mais definida na função reprodutiva feminina, as alterações hormonais nos homens acontecem de forma progressiva e podem não provocar sintomas tão perceptíveis quanto nas mulheres.
Quando essa redução hormonal está associada a sinais e sintomas, pode ser caracterizada como Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM) ou, como é popularmente conhecida, andropausa.
E um dado da Sociedade Brasileira de Urologia chama atenção: 57% dos homens não sabem o que é a andropausa e seus sintomas. Por isso, é importante falar sobre o assunto.
O que é andropausa e quando começa?
A expressão “andropausa” é utilizada, mesmo que popularmente, para representar um conjunto de alterações relacionadas à diminuição da testosterona no homem.
A produção deste hormônio não para em uma determinada idade, como acontece com a interrupção da menstruação na menopausa. Nos homens, a redução hormonal tende a ser gradual e pode começar a ser observada ao longo da vida adulta, com grande variação entre as pessoas.
Além da idade, outros fatores podem interferir nos níveis de testosterona, como obesidade, algumas doenças crônicas, determinados medicamentos, alterações nos testículos ou na hipófise e outros problemas de saúde.
Por isso, o que é andropausa não pode ser definido apenas pela idade. O envelhecimento pode estar associado a mudanças hormonais, mas elas precisam ser avaliadas em conjunto com o estado geral de saúde.
Como saber se o homem está com andropausa?
Não existe um único sintoma ou exame capaz de confirmar, sozinho, uma condição relacionada à baixa testosterona. A avaliação médica costuma considerar diferentes aspectos:
– Avaliação dos sintomas: alterações no desejo sexual, disposição, força física, humor e concentração podem fazer parte da investigação.
– Histórico clínico: doenças, medicamentos, hábitos de vida, alterações no peso, sono e outros fatores são importantes para entender as possíveis causas dos sintomas.
– Exame físico: pode ajudar a identificar sinais relacionados à deficiência hormonal e avaliar aspectos gerais da saúde.
– Dosagem de testosterona: quando existe suspeita clínica, o médico pode solicitar a dosagem do hormônio no sangue, geralmente realizada pela manhã.
– Confirmação do resultado: uma dosagem isolada não deve determinar o diagnóstico. Os níveis de testosterona podem variar ao longo do dia e sofrer influência de doenças agudas, medicamentos e outras condições.
Diretrizes internacionais recomendam que a deficiência de testosterona seja diagnosticada quando existem sinais ou sintomas compatíveis associados a níveis consistentemente baixos do hormônio, com confirmação por novas dosagens quando necessário.
Por isso, diante de sintomas persistentes, a recomendação é procurar atendimento médico em vez de iniciar testosterona por conta própria.
O que a andropausa causa no homem?
As alterações associadas à redução da testosterona podem se manifestar de diferentes maneiras.
Entre elas estão mudanças na função sexual, redução da massa e da força muscular, aumento da gordura corporal, menor disposição e alterações de humor.
No entanto, esses sinais não são exclusivos da deficiência de testosterona. Cansaço, dificuldade de concentração, alterações do sono, redução da libido e mudanças de humor também podem estar relacionados ao estresse, depressão, obesidade, doenças crônicas, medicamentos ou outros fatores.
É justamente por isso que a investigação precisa considerar o conjunto de sinais, sintomas e condições de saúde.
Quais os sintomas da andropausa?
Os sintomas podem variar bastante de um homem para outro. Entre os que podem estar relacionados à deficiência de testosterona estão:
– Redução do desejo sexual;
– Diminuição das ereções espontâneas ou matinais;
– Dificuldade de ereção;
– Redução da disposição e da energia;
– Perda de força e massa muscular;
– Aumento da gordura corporal;
– Alterações de humor;
– Redução da motivação;
– Dificuldade de concentração;
– Alterações do sono;
– Redução do desempenho físico.
Os sintomas sexuais, especialmente a redução da libido e das ereções espontâneas, estão entre os sinais mais específicos associados à deficiência de testosterona. Ainda assim, a presença de sintomas não significa, por si só, que exista uma alteração hormonal.
Andropausa: qual médico procurar?
O urologista e o endocrinologista são as especialidades médicas que podem investigar alterações relacionadas à testosterona e ao funcionamento hormonal masculino.
O acompanhamento também pode envolver o médico de referência do paciente, especialmente quando existem outras condições de saúde que podem contribuir para os sintomas.
A escolha do profissional pode variar conforme as características de cada caso. Mais importante do que buscar uma reposição hormonal imediatamente é investigar o que está causando os sintomas.
Como tratar a andropausa?
O tratamento depende da causa identificada e das características de cada paciente.
Quando existe deficiência de testosterona confirmada e sintomas compatíveis, o médico pode avaliar a possibilidade de terapia de reposição de testosterona.
A decisão deve considerar benefícios, riscos, contraindicações, desejo de preservar a fertilidade e condições de saúde que possam interferir no tratamento.
Em alguns casos, também é necessário tratar fatores que podem contribuir para a redução da testosterona. Obesidade, por exemplo, pode estar associada ao chamado hipogonadismo funcional e deve ser considerada na avaliação.
A adoção de hábitos saudáveis também faz parte do cuidado com a saúde masculina: alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado, controle do peso e acompanhamento das condições crônicas contribuem para um envelhecimento mais saudável.
A testosterona não deve ser utilizada com o objetivo de aumentar energia, ganhar músculos ou melhorar o desempenho físico sem indicação médica.
O uso inadequado pode trazer riscos e, em determinadas situações, comprometer a produção de espermatozoides e a fertilidade.
Andropausa é a mesma coisa que testosterona baixa?
Não exatamente. “Andropausa” é uma expressão popular usada para descrever mudanças associadas ao envelhecimento masculino.
Já a testosterona baixa é uma alteração laboratorial que precisa ser interpretada dentro de um contexto clínico.Um homem pode apresentar uma dosagem baixa de testosterona temporariamente, sem necessariamente ter hipogonadismo.
Da mesma forma, sintomas como cansaço ou redução da libido podem ter outras causas.
Por isso, o que é andropausa não deve ser reduzido simplesmente à ideia de “testosterona baixa”. O diagnóstico de uma deficiência hormonal exige avaliação médica e, quando indicado, confirmação dos níveis do hormônio.
Andropausa afeta a vida sexual?
Pode afetar. A redução da testosterona pode estar associada à diminuição do desejo sexual, à redução das ereções espontâneas e, em alguns casos, à dificuldade de ereção.
Mas a vida sexual masculina também é influenciada por diversos outros fatores. Diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, obesidade, alguns medicamentos, alterações emocionais, estresse, qualidade do relacionamento e outras condições de saúde podem interferir no desejo e na resposta sexual.
Por isso, alterações na vida sexual não devem ser automaticamente atribuídas ao envelhecimento ou à “andropausa”. Investigar a causa é o primeiro passo para encontrar a melhor forma de cuidado.
Envelhecer também é cuidar da saúde
O que é andropausa é uma dúvida comum, mas o envelhecimento masculino não deve ser encarado apenas pela perspectiva das alterações hormonais.
Cada pessoa envelhece de uma maneira, e fatores físicos, emocionais, sociais e relacionados ao estilo de vida influenciam a saúde e a qualidade de vida.
Manter consultas de acompanhamento, conversar com profissionais de saúde sobre mudanças percebidas e não utilizar hormônios sem indicação são atitudes importantes para cuidar da saúde ao longo dos anos.
